Sobre protestos ou a falta deles

Muitos se questionam a razão de nós brasileiros não estarmos protestando contra o sistema, seguindo os árabes, europeus e americanos. A explicação não é tão complexa assim. As pessoas se mobilizam quando sentem os efeitos de algo nas suas vidas. Os protestos dos países centrais são contra o sistema financeiro e a maneira como o capitalismo criou uma distorção social. Mas só estão mobilizando agora por perceberem a crise econômica no seu bolso. Mas só a crise econômica não bastaria.* Os políticos trataram de criar uma crise política, tanto demonstrarem incapacidade de decidir e solucionar os problemas, como também pelas medidas altamente impopulares que estão tomando. Pior, muitas vezes o desmonte de parcelas do estado de bem-estar social, cortes públicos no funcionalismo público e nos investimentos, privatizações, resgate bancário às custas do contribuinte, estão sendo tomadas muitas vezes por partidos que construíram o estado social-democrata. Perde-se a legitimidade. E só a soma das duas crises explica explica a razão do inconformismo dos cidadãos da Europa e dos EUA.
Da mesma forma os maiores protestos do Brasil recente (diretas já e fora Collor)
só tornaram o gigantismo que tiveram devido a crise encômica e institucional vivida no período. Felizmente não estamos em crise, então não espere nenhum grande protesto contra o governo ou o sistema político-econômico brasileiro. Pelo contrário, vivemos socialmente e economicamente o melhor período de crescimento econômico e redução da desigualdade em muito tempo.Mas espere muitos protestos por causas caras a minorias, pois lhes afeta a vida diretamente. Por isso os espetáculos da marcha da maconha, dos lgbts, e tantos outros. Essas pessoas têm porque lutar.
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Ah sim, pode-se dizer que em menor grau as manifestações do oriente médio serviram como uma espécie de exemplo a ser seguido.
